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Repositório Institucional da Produção Científica da Marinha do Brasil (RI-MB)

Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://hdl.handle.net/20.500.14867/848064
Título: A ordem de parada em Dunquerque: uma análise da influência dos vieses cognitivos na decisão de Hitler
Autor(es): Goncalves, Rodrigo Marques da Silva
Orientador(es): Menezes, Thiago
Palavras-chave: Dunquerque
Heurísticas.
Hitler, Adolf
Teoria das Decisões
“Teoria versus Realidade”
Vieses cognitivos
Áreas de conhecimento da DGPM: Política e estratégia
Setor(es) da Marinha: Estado-Maior da Armada (EMA)
Data do documento: 2025
Editor: Escola de Guerra Naval (EGN)
Descrição: Esta dissertação analisa a decisão de Adolf Hitler de interromper o avanço terrestre das forças alemãs contra as tropas aliadas cercadas em Dunquerque, em maio de 1940, buscando identificar se as possíveis motivações atribuídas a essa ordem foram influenciadas por vieses cognitivos. A pesquisa adota o método “teoria versus realidade”, confrontando conceitos da Teoria das Decisões, que aborda as limitações cognitivas e psicológicas da racionalidade humana, com evidências documentais e bibliográficas sobre o episódio. A análise parte de quatro conceitos centrais: a Teoria das Decisões, os Sistemas 1 e 2, as heurísticas e os vieses cognitivos. A literatura histórica identifica quatro possíveis motivações para a ordem de parada: preservar as divisões blindadas para a ofensiva contra Paris, evitar riscos no terreno alagadiço de Flandres, confiar na Luftwaffe para concluir o cerco aéreo e poupar a Força Expedicionária Britânica como trunfo diplomático. Cada uma dessas motivações foi analisada à luz dos conceitos teóricos, revelando que diferentes vieses podem ter moldado o julgamento de Hitler. Os resultados indicam que, em todas as motivações examinadas, esses desvios cognitivos estiveram presentes em maior ou menor grau, comprometendo a avaliação racional e favorecendo decisões influenciadas por impressões, memórias e expectativas subjetivas. O estudo demonstra que a atuação dos Sistemas 1 e 2, descritos na Teoria das Decisões, evidencia um processo decisório onde o pensamento intuitivo prevaleceu sobre a análise deliberativa, favorecendo conclusões pautadas por atalhos mentais e distorções, mesmo em um contexto de relevância estratégica. Assim, a decisão de Hitler, frequentemente analisada sob prismas exclusivamente políticos e militares, também pode ser compreendida como resultado de processos cognitivos que impactaram a percepção de riscos e oportunidades, influenciando uma escolha que alterou os desdobramentos da campanha de 1940. Ao integrar a Teoria das Decisões à análise histórica, esta pesquisa contribui para ampliar a compreensão dos fatores que condicionam decisões estratégicas em cenários de guerra, oferecendo uma perspectiva complementar ao debate acadêmico sobre a ordem de parada em Dunquerque.
Trabalho apresentado à Escola de Guerra Naval, como requisito parcial para conclusão do Curso de Estado-Maior para Oficiais Superiores (C-EMOS 2025)
Abstract: This dissertation examines Adolf Hitler’s decision to halt the German Army’s advance against the Allied forces encircled at Dunkirk in May 1940, seeking to determine whether the possible motivations attributed to this order were influenced by cognitive biases. The research adopts the “theory versus reality” method, confronting key concepts from Decision Theory—which addresses the cognitive and psychological limitations of human rationality—with documentary and bibliographic evidence on the episode. The analysis is grounded in four central concepts: Decision Theory, Systems 1 and 2, heuristics, and cognitive biases. Historical literature identifies four possible motivations for the halt order: preserving the Panzer divisions for the offensive toward Paris, avoiding risks associated with the marshy terrain of Flanders, relying on the Luftwaffe to complete the aerial encirclement, and sparing the British Expeditionary Force as a potential diplomatic asset. Each of these motivations was examined through the lens of theoretical concepts, revealing that different biases may have shaped Hitler’s judgment. The findings indicate that, across all motivations assessed, such cognitive deviations were present to varying degrees, undermining rational evaluation and favoring decisions influenced by impressions, memories, and subjective expectations. The study shows that the interaction between Systems 1 and 2, as defined in Decision Theory, points to a decision-making process in which intuitive thinking prevailed over deliberate analysis, leading to conclusions shaped by mental shortcuts and distortions, even in a context of strategic relevance. Thus, Hitler’s decision—often examined solely through political and military lenses—may also be understood as the result of cognitive processes that affected his perception of risks and opportunities. By integrating Decision Theory into a historical analysis, this research contributes to a broader understanding of the factors that shape strategic decisions in wartime scenarios, offering a complementary perspective to the academic debate on the halt order at Dunkirk.
Tipo de Acesso: Acesso aberto
URI: https://hdl.handle.net/20.500.14867/848064
Tipo: Trabalho de fim de curso
Aparece nas coleções:Estudos Militares: Coleção de Trabalhos de Conclusão de Curso



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